Minha experiência no mundo corporativo

Trabalho na empresa X há muitos anos, e posso dizer que estou extremamente saturado. E por quê? Existem diversos fatores. Sei que problemas existem em várias empresas, mas nunca tinha vivido tamanho desconforto em um ambiente desses. Vou explicar-lhes os porquês.

Logo que entrei no processo seletivo da empresa X, estava ansioso demais. Queria trabalhar em uma empresa que alavancasse minha carreira. Por ser uma empresa com um nome relevante no mercado, e orientada a hierarquia, eu achei que ela pudesse fazer isso. E fez. Fui contratado e estava com ótimas expectativas!

Logo no primeiro dia, cheguei no endereço indicado. Me enviaram para uma salinha de treinamento com outras pessoas. O treinamento começou, e era sobre a empresa, como funcionava, como era o trabalho, etc… Mas eu comecei a achar muito estranho, pois meu cargo era na área de IT, e o treinamento era totalmente voltado aos vendedores da empresa. Em praticamente momento algum foi citado que eu trabalharia num escritório a parte, como se fosse a “administração” da empresa. Eu dividi o treinamento com pessoas extremamente bonitas e elegantes, com um porte que nunca tinha visto antes. Se posicionavam com firmeza. Era uma auto-confiança muito alta, bem aparente mesmo, daquelas que até diminuem a gente. Saí do primeiro dia de treinamento um pouco triste comigo mesmo, até porque também não fui de traje social completo (na verdade, ninguém me orientou sobre como era o dress code da empresa), mas todos estavam vestidos assim (acho que faltou maturidade minha neste caso). Quando terminou o primeiro dia do treinamento, perguntei para a treinadora como ficaria minha situação, onde estava meu chefe, etc… Ela foi me apresentar para a área de IT, e para minha surpresa, meu novo chefe estava em uma viagem, e um analista de IT disse: “Pode pegar essa cadeira do lado e instalar as coisas”.

Cara, quando ouvi isso, me senti extremamente frustrado! Cadê o gerente sênior, ou qualquer outra pessoa um pouco mais orientada pra me direcionar no meu primeiro dia de trabalho? No dia seguinte, já fui direto pra minha mesa, e, enfim, o gerente sênior me passou algumas coisas. Na verdade, ele me passou “coisas” extremamente urgentes. Fiquei a ver navios essa semana (ninguém fez a mínima questão de me integrar, me apresentar, nada!). Comecei a atender umas pessoas em espanhol pelo telefone, mas nem sabia se podia ou devia fazer aquilo. Comecei a fazer algumas coisas pelo meu bom-senso mesmo. E eu me sentia um ser inanimado na mesa. E pra piorar, sempre fui muito tímido, e naquela época, não tinha atitude pra nada. Conclusão: passei os primeiros meses nessa situação, e trabalhando até muito tarde. Lembro-me que, na primeira semana, esse gerente sênior me fez ficar até meia noite, e se não colocasse limites, iria até varar madrugadas. Achei um absurdo, um recém chegado ser colocado na fogueira, e, ao mesmo tempo, não ter nenhum apoio pra ser integrado pela empresa.

Bom, depois de algum tempo, as coisas melhoraram um pouquinho, porque meu chefe de fato voltou da tal viagem e eu pude me acostumar com o ritmo da empresa também. Eu percebi que a empresa era “divivida” em dois. Os tais vendedores ficavam em escritórios chamados de “First Building”. Todos bonitos, elegantes, ricos e mimados. A minha área de IT, e todas as outras áreas que faziam o suporte aos vendedores. Ficávamos em um outro escritório chamado “Second Building”. Essa divisão de escritórios foi fundamental pra entender o contexto que eu estava inserido.

Eu comecei a perceber que o nome “Second Building” era realmente o “escritório secundário”. Os vendedores do First tratavam os funcionários do Second como “empregados”. Coisas fora do comum, que hoje eu infelizmente me acostumei. Vou dar um exemplo: Os treinamentos dos vendedores do First eram feitos em uma sala de treinamento que ficava no “Second Building”. Nestes treinamentos, eram oferecidos lanches e frutas. Quando o treinamento acabava, os funcionários do

Second corriam na sala para comer a comida que sobrava dos treinamentos. Aquilo me consumia de uma tal maneira… Eu não conseguia me conformar. Parecia uma relação de senhor feudal e escravo. O pior é que pouco tempo depois, eu também estava consumindo os alimentos deixados ali… Parecia que o comportamento da maioria estava me “contaminando”. Sabe quando você acaba fazendo certas coisas por osmose? Não que isso fosse o fim da picada, mas parece que essa cena representava a relação que as duas áreas tinham. Será que fiquei louco?

O tempo passava e eu me revoltava mais. Trabalhávamos em um espaço aberto, e as cadeiras do escritório eram de dois tipos: de couro e de pano. As cadeiras de couro eram reservadas para cargos superiores a analistas. Ou seja, em determinada fileira, existiam pessoas sentadas em cadeira de couro e pessoas em cadeiras de pano, de acordo com seu cargo, seu “status” na empresa. Eu me sentia oprimido com a minha cadeira de pano. E na minha cabeça, eu era merecedor da cadeira de couro! Mas…hoje…pensando bem… que importância isso tem? Que estratégia de RH é essa, e como conviver com essa diferença até nas cadeiras? Já temos tantas diferenças em nosso dia-a-dia, já vivemos num país com tantas diferenças. OK, não quero ser piegas, mas, pelo menos pra mim, estes pequenos detalhes fazem toda a diferença! Ainda mais em um lugar onde você vai ter que frequentar diariamente.

Também percebi que os funcionários do Second ganhavam menos que os funcionários do First. Tanto fisica como mentalmente, dava pra perceber que os funcionários do Second eram diferentes. Eram pessoas mais humildes, tanto no bom quanto no mal sentido. Levávamos marmita, porque tinha um forno micro-ondas no lugar. Acho que, como o salário era menor, só estas pessoas se “sujeitavam” a trabalhar lá e aguentar tudo aquilo. Raras eram as pessoas ótimas que

permaneciam. Percebi também que os gerentes (que eram incompetentes), permaneciam mais tempo, obviamente porque o salário deles era maior. Funcionário medíocre com salário bom permance na empresa eternamente, a não ser que seja demitido. Fato.

Após três meses de trabalho, eu comecei a fazer algumas amizades. Uma delas foi uma menina chamada Karla, que estava com medo de perder o emprego. Toda sexta ela comentava que poderia chegar a vez dela. A empresa X era famosa por realizar demissões em massa às sextas-feiras, provocando um certo temor nas pessoas do Second. Lembro-me que uma sexta-feira quando um dos gerentes chamou Karla na sala do diretor e PÁ! Karla tinha sido demitida. Ela estava voltando da sala do diretor, em direção à sua mesa para pegar suas coisas, quando, subitamente, o gerente de suporte se aproxima de sua máquina e retira brutalmente os cabos de sua máquina, na frente de Karla, para que ela não tivesse mais acesso à rede. Karla começa a chorar e eu a aconselhei de que ali não era um lugar bom pra ela. Que barra!

Depois da saída de Karla, eu fiquei bastante abatido e pedi demissão ao meu gerente, que me disse para falar com o diretor. Desabafei sobre as diferenças feitas entre First e Second (inclusive o plano de saúde, que o do Second era inferior). Isso sem contar nos funcionários terceiros do Second, que tinham

benefícios e salários ainda menores. Claro que os funcionários do “First” que faziam a roda girar, e com justiça ganhavam mais, mas os funcionários do Second eram tratados de uma forma muito diferente.

Lembro bem de uma vez que tínhamos uma reunião, onde todos os gerentes participavam, para aprovar as mudanças rotineiras. Um analista chegou cinco minutos atrasado na salinha, e o gerente que comandava a reunião disse: Você está cinco minutos atrasado. Vamos para o próximo funcionário.
Eu achei que era brincadeira dele! Mas ele falava sério. Esse gerente sentava do lado do funcionário que iria se apresentar! Poxa, por quê ele não chamou o funcionário que estava sentado ao lado dele? O gerente ficou sentado na salinha cinco minutos, esperando, pra provar que ele era o mestre pontual, e o

funcionário atrasado era um lixo muito inferior a ele, e que precisava de uma lição! Fiquei tão impressionado com aquilo… parecia que ninguém podia errar, sair da linha, senão levava umas “chibatadas”, e era “condenado”, o “culpado” por tudo.

Mas voltando à conversa com o diretor, ele disse que grande parte das minhas reclamações eram impressões erradas da minha cabeça, e me convenceu a ficar mais algum tempo. Eu acabei ficando. Acho que esse pedido de demissão foi fator chave pra mim.

Com essa conversa, eu ganhei muitas fichas com o diretor, que me promoveu, e me deu uma área pra cuidar. Claro que essa promoção não veio do céu. Na empresa X, parecia que qualquer benefício era ganho no grito. Meu coordenador na época foi promovido a gerente, e me disse que eu não seria promovido. Só ele seria.

Hahahaha acontece que eu estava fazendo um trabalho super legal, estava super em evidência, e eles tinham me prometido essa promoção. Aí chega no final do ano e surpresa: Você não vai ser promovido, mas seu chefe, que merece bem menos que você, vai! Bem-vindo ao mundo corporativo! Achei um absurdo, reclamei, esperniei, falei com o diretor, gerente, etc.. e no final das contas, fui promovido. No grito, e não por reconhecimento.

A partir desse momento, tive bons momentos na empresa X, pois comecei a participar das reuniões dos gerentes, a discordar de alguns processos, a fazer um trabalho diferente do que eles estavam fazendo. Comecei a crescer na empresa, e comecei a ter poder de mudança e voz ativa. Foi muito legal ver que conseguia mudar uma situação que parecia perdida. Talvez tenha a mesma sensação que uma pessoa tem quando faz trabalho voluntário. Além disso, eu tinha um cargo legal e um salário razoável.

Uma das áreas, inclusive, foi conquistada por mim sem muito esforço. Numa certa sexta-feira, um gerente foi demitido. Percebi que sua equipe dele ficou sem gerente, sem chefe, e estavam totalmente desorientados. Essa situação permaneceu por dias. Eu fui falar com o diretor, e sabe o que ele me disse? Ah, você não quer essa equipe pra você? Em menos de 1 minuto, eu consegui a equipe! Eu adorei, mas… como uma empresa dessa tamanho pode fazer uma decisão tão

importante dessas desse jeito? E se eu tinha conseguido isso, qualquer outro boçal conseguiria numa situação futura. Eu já tinha ouvido falar que uma outra gerente tinha “ganho” uma equipe em um almoço (risos). Acho que estava evidente que boa coisa não estava por vir…

E realmente, nem tudo eram flores. Muita coisa errada acontencia. Uma certa vez, fizemos um e-mail de felicitações pelo dia dos professores, e utilizamos um desenho de uma menina sombreada que lembrava uma menina negra. O diretor vetou dizendo que não queria causar má impressão. Absurdo.

Outros casos malucos aconteceram! Uma estagiária que estava com o contrato quase acabando fez um almoço de despedida, pois seu gerente disse que não iriam renovar o contrato dela. Após o almoço, ela foi se despedir de todos (era uma sexta-feira). Ao se despedir do diretor, o mesmo disse que ninguém tinha demitido ela. Que ela iria continuar trabalhando normalmente. Coisa doida, total falta de organização que eu nunca vi igual na vida.

Os gerentes, em geral, eram péssimos e se comportavam como “pavões”. Em suas cadeiras de couro, eles desfilavam pelo escritório, de peito aberto. Brigavam, eram “importantes”, se sentiam “importantes”, e se sentiam “amigos” de todos. Eram donos da razão. Possuíam a mesma confiança que os vendedores. E os

vendedores, então? Ah, como me irritava! Algumas vezes, eles precisavam nos visitar, e sempre chegavam dando um “bom dia”, ou um simples “oi”, com um timbre de voz muito alto, que chamava a atenção de todos! Aquilo não me parava de consumir. Eles não saiam da sala do diretor. Pareciam super dependentes dele.

Todo passo que eles tomavam deveria ser mostrado ao cara que tomava as decisões e tinha mais poder que eles (diretor). Se fosse no meu mundo, isso seria chamado de “paga pau”. Porque temos tanto “paga paus” nas empresas? Até que ponto essa sangria desatada por poder e dinheiro vale a pena? Será que os diretores não percebem estes gerentes “paga pau”?

E eu ficava me perguntando: será que esse tipo de comportamento é certo? Será que eu devo me mostrar mais, ser mais confiante, ser mais altivo, falar mais, falar mais alto, me vestir melhor? Eu ficava me rebaixando ao ver as cenas deles. As vezes raiva, as vezes, “inveja”. Um sentimento que não tinha vivido em outras empresas.

Mesmo comigo, aconteram coisas desgradáveis. Nestes últimos meses, cortaram minha equipe e eu fiquei sem poder novamente. A empresa não estava investido mais na minha área. OK. Pedi pra sair, mas o diretor me prometou um cargo na Europa. Todo santo dia ele falava do cargo, que estava saindo, que estava tudo certo, que era pra fazer meus exames pra já embarcar sossegado. Chega um certo dia, e fico sabendo que não há vagas e que é melhor eu ficar no Brasil. Era tudo falha de comunicação! Fiquei nesse processo durante 3 meses, mobilizei família e amigos com a minha partida, pra no final das contas receber esta notícia curta e rápida! PÁ! A cereja do bolo com o gosto mais amargo que já comi.

Estava nessa situação péssima, e ainda tinha que frequentar sessões de coaching com o diretor de vendas. É que no passado eu tinha resolvido aproveitar uma “chance” única que a empresa deu somente aos gerentes, com sessões de coaching grátis (veja aí, mais uma coisa que me perturbava: eles ofereciam coaching, mas só aos gerentes). Achei interessante, e me inscrevi. Sabe o que aconteceu? Desabafava, falava o que pensava para o diretor de vendas, e ele me dizia, nas

sessões de coaching, que eu tinha que dar mais e mais pela empresa. Era a mesma coisa que falar o contrário. Me desmotivava mais e mais a cada momento. Que coaching é esse? Pra mim, coaching é pra te ajudar na sua carreira, como indivíduo, uma espécie de terapia profissional. E não, com a finalidade de defender os interesses da empresa! Um absurdo!

Via pessoas boas saindo, mas pessoas incompetentes ficando. A área de negócio de IT, responsável por produzir documentos de negócio, foi cortada, permanecendo somente o gerente. Sabe o que aconteceu? Colocaram uma jovem-aprendiz de 16 anos pra produzir documentos em inglês. Vocês podem imaginar a qualidade destes documentos, certo? Estes documentos eram traduzidos em sistemas, posteriormente.

Ao longo destes últimos meses, eu percebi que sendo mais quieto (mas muito mais produtivo), não era benéfico, porque eu não tinha o reconhecimento financeiro e moral pela empresa e por grande partes das pessoas que trabalham nela. E que eu tinha três alternativas: permanecer quieto sofrendo, me tornar um deles, ou

mover. A última opção me pareceu a mais óbvia. E foi o que aconteceu. Fui embora procurar um lugar mais decente, e que se case mais com meus princípios. Que valorize mais o meu jeito. Será que terei sucesso nessa nova jornada?

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Estou com vergonha da segunda edição do The Voice Brasil

Ontem foi a estréia da segunda edição do The Voice Brasil na Rede Globo, e posso dizer que estou um pouco decepcionado, porque acreditava que a segunda versão poderia ser bem melhor que a primeira.

Pra começar, acho que grande parte das pessoas não curte Cládia Leitte. Não adianta. A mulher se esforça, mas ela não consegue. Ainda vou escrever um post somente sobre ela, por que acho que vale a pena tentar encontrar um motivo do porquê que grande parte das pessoas não gosta dela. Por mais que ela tenha zilhares de fãs, a presença dela provoca a ira de muitos.

O Lulu Santos é outro que já não tinha uma imagem boa, mas depois da primeira edição do programa, também conseguimos ver que o cara não é o melhor representante do “pop” (ou seria “rock”?) brasileiro. Particularmente, acho ele muito arrogante.

Na minha opinião, o Carlinhos Brown é o pior dos quatro jurados. O cara é um autêntico mala sem alça. Os comentários dele são muito óbvios! Fora que ele é extramente prolixo. Parece-me que os comentários que ele faz sobre determinado candidato poderiam se aplicar a qualquer um dos candidatos (sendo eles ruins ou bons). Somado a isso, ele sempre prolonga as opiniões dele. Sei que ele “representa” de alguma maneira a cultura brasileira, mas eu acho “too much”. Colocar tambores, berimbaus, colares, etc… Sei que o Brasil ainda é um país pobre e com muitas raízes africanas e indígenas, mas o país mudou faz tempo! Existem outras representações mais pertinentes que estas. Acho muito forçado.

Deixei o cantor Daniel por último porque considero ele o melhor dos quatro. Mesmo não gostando do estilo musical dele, ele se mostrou extremamente educado com todos os candidatos, gentil, calmo, sereno, e, ao mesmo tempo, exigente (ele sempre é “criticado” pelos colegas por nunca apertar o botão). Quer queira, quer não, a versão brasileira precisa de um representante sertanejo, porque representa parte da população e da cultura do país, assim como o The Voice USA tem o Blake, representando o country americano.

Fico pensando em nomes melhores, e sim, a música brasileira tem! Tem muita gente boa e com história incrível que poderia estar ali: Marisa Monte, Seu Jorge, Ana Carolina, Djavan, Milton Nascimento, Gal Costa, Maria Bethânia, Jorge Ben, Rita Lee. Mesmo nomes mais “pop” poderiam ocupar as cadeiras e trazer mais conteúdo ao programa: Maria Gadú, Ivete, D2, Seu Jorge.

Essa foi minha opinião sobre os juízes, mas ainda temos outros problemas. Não acho as vozes apresentadas muito boas. Não acho de verdade. E não quero acreditar que o Brasil não tenha vozes boas, afinal somos um país cheio de talentos “escondidos”. Acredito que a triagem da Globo não está boa! A Globo precisaria buscar estes talentos pelo Brasil inteiro, e talvez intensificar a campanha pra encontrar um cantor, assim como ela faz com o BBB. Pra vocês terem uma idéia, até o “Mais Você” tem campanha pra entrar no BBB. Acho que a Globo poderia investir mais nesse “garimpo” de talentos, para aumentar a qualidade das vozes. No primeiro capítulo do programa, não vi muitas vozes arrebatadoras, como vejo nos programas de fora (The Voice, American Idol, X-Factor, etc…).

Tenho acompanhado o The Voice americano, com a diva Christina Aguilera, o cantor country americano Blake Shelton, o vocalista do Maroon 5, Adam Levine, e rapper americano CeeLo Green. Consigo ver muitas diferenças entre as edições dos Estados Unidos e a nossa versão brasileira.

Um destas diferenças é a edição do programa. Claro que os americanos devem ter mais grana para investir, mas a diferença é aparente. A história pessoal de cada candidato é muito importante também, e não somente a performance. A performance deve ser o ápice, mas a apresentação do candidato também é importante. “Garimpar” os problemas, as dificuldades das pessoas, só cultiva mais o carisma dos telespectadores por determinado cantor. No The Voice e no X-factor, isso é muito bem trabalhado. Não me esqueço da negra que perdeu a mãe e cantou para ela “I will always love you”. Ou a menina que tem problema físico nos braços, mas que canta sorrindo. Por quê estes exemplos de superação não são mostrados no The Voice? Afinal de contas, cantar no Brasil deve ser tão ou mais difícil do que em outros países, então temos muitas histórias boas pra mostrar.

No geral, acho que falta planejamento estratégico. Lembro-me do final da primeira versão, quando foi revelado que a talentosíssima Ellen Oléria tinha sido a ganhadora. Alguns segundos após a revelação, o programa acabou. Queria tanto ouvir ela, ver ela comemorando, chorando, rindo, mas a Globo não mostrou. Isso não foi pensando antes? Será que eles estavam atrasados para o início do Domingão do Faustão? Uma emissora do porte da Globo não pode não pensar nestes detalhes.

Pelo que vi, a audiência da estréia foi boa, e alavancou os números das noites de quinta-feira. De qualquer maneira, vou acompanhar os próximos episódios do programa, e torcerei para que a qualidade do programa aumente.

KEEP CALM AND WATCH THE VOICE.

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